Educação de crianças e o Cristianismo

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

          Outro dia descobri na internet que a Cris Poli (que atualmente faz um programa sobre educação infantil na tv) era evangélica. No mesmo artigo onde eu descobri isso, o autor do artigo, que também se intitulava evangélico, criticava Cris Poli pelo fato de ela ter ensinado em palestras nas igrejas onde era convidada que até mesmo a palmada não era certa, que a agressão como punição não era recomendado na educação das crianças. O autor do artigo criticava e provava através de versículos na bíblia que a agressão à criança no sentido de "educar" era de fato permitido e até estimulado.

Vamos entender um pouco a questão à luz do Cristianismo.

Primeiro, de fato há sim, versículos que estimulam a punição física em crianças, ou, como a maioria costuma dizer, a disciplina:

O que retém a vara odeia a seu filho, mas o que o ama a seu tempo o disciplina.
Provérbios 13:24

Corrige a teu filho enquanto há esperança, mas não a ponto de matá-lo.
Provérbios 19:18

A insensatez está ligada ao coração do menino, mas a vara da disciplina a afastará dele.
Provérbios 22:15

Não retires a disciplina da criança; porque, se a castigares com vara, nem por isso morrerá.
Provérbios 23:13

Alguns poderiam dizer que de fato se está escrito na bíblia então deve ser verdade. No entanto, temos que analisar calmamente a questão.

Primeiro, o livro de Provérbios foi escrito na Antiga Aliança, ou seja, antes da vinda de Cristo. Se Cristo não havia vindo, não existia o Cristianismo, nem muito menos a igreja de Cristo. Em segundo lugar, os mandamentos do antigo testamento foram escritos para os judeus, ou seja, até mesmo os gentios (todas as outras pessoas que não descendiam dos judeus) estavam fora dessas ordenanças.

Uma outra coisa é, no período em que Provérbios foi escrito, foi o mesmo período em que era permitido que uma mulher fosse apedrejada até a morte se pega em adultério. Um comportamento inconcebível para os cristãos. 

Outro fato importante é que aos judeus era permitido punir os seus filhos com vara, e pela mesma lei, se a punição física não resolvesse, eles teriam, por ordenança de lei, que entregar o filho rebelde ao sacerdote para ser morto, como está escrito:

Dt 21:18-21
Se alguém tiver um filho obstinado e rebelde, que não obedece à voz do pai bem da mãe e, embora o castiguem, não lhes dê ouvido,
seu pai e sua mãe o tomarão e o levarão aos líderes da sua cidade, à sua porta,
e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e obstinado, não dá ouvidos à nossa voz. É dissoluto e beberrão.
Então, todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra. Assim extiparás o mal do meio de ti, e ao sabê-lo, todo o Israel temerá. 

Em primeiro lugar, para alguém seguir essa lei, é preciso que seja judeu. E mesmo que alguém em sua teimosia ainda insista em seguir essa lei, deve saber que deve segui-la em sua totalidade. Por que está escrito:

Porque qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, torna-se culpado de todos. Tiago 2:10

Em outras palavras, se alguém quer serguir a lei de moisés, pode segui-la, no entanto, saiba que se essa mesma lei não for cumprida em sua totalidade, essa pessoa se tornará culpada como se estivesse descumprido todas as ordenanças.  E mesmo que uma pessoa cumpra todas as outras ordenanças da lei, ainda assim não haverá qualquer recompensa, pois Deus nunca prometeu a vida eterna a todos os que cumprem a lei de Moisés.

Vale lembrar, que até mesmo para a lei dos homens deixar que apedrejem seu filho até a morte é um considerado crime, e tenho certeza que poucos pais permitiriam isso. Sem levar em consideração que agir dessa forma é totalmente contra o Cristianismo que é baseado no mandamento do amor.
 
Em suma, a punição física em crianças era permitido na antiga aliança, onde não havia misericórdia, uma lei que foi chamada pelo Apóstolo Paulo de ministério da morte:

2 Coríntios 3
6 - o qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.
7 - Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual se estava desvanecendo,
8 - como não será de maior glória o ministério do espírito?

Um outro fato relevante ainda nessa questão de punição física em crianças é que em quase todas as vezes, os pais que batem nos filhos não estão pensando exatamente em educá-los. Na maior parte das vezes, o que move um pai ou uma mãe a bater no filho é o sentimento de raiva e frustração que acompanha o momento. Em outras palavras, ao invés de frutos do Espírito, essas pessoas estão dando frutos da carne, como está escrito:

Gálatas 5
19 Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia,
20 a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos,
21 as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus.
22 Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade.

23 a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.

Como podemos ver, as iras são frutos da carne, enquanto que a longanimidade, a mansidão e o domínio próprio estão entre os frutos do Espírito.

Irmãos, o que quero dizer aqui é que os verdadeiros cristãos não recorrem à punição física quando se trata de educar seus filhos. A criança apenas aprende o que vê. Se formos exemplos dentro de nossa própria casa e ensinarmos o caminho em que nossos filhos devem andar, segundo a própria palavra, eles não vão se desviar desse caminho. E mesmo se houver um desvio desse caminho, tenha paciência os planos do Senhor não falham.

A Paz seja com todos!

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